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Refletores da Fama

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CAPITÃO NÃO É GENERAL

Exército sem munição não avança. Esquecido da lição militar, o capitão Jair Bolsonaro partiu para o front, achando que 7 de setembro seria o seu Dia D. Não era – e, sem munição, menos de 48 depois dos ataques em Brasília e São Paulo, ressurgiu empunhando a bandeira branca. O rugido do leão do comício paulista virou o miado do gato no dia 9 de setembro.

O NEGOCIADOR

Atacado por todos os lado, isolado no Palácio do Planalto, Bolsonaro foi buscar ajuda fora dos seus ministros. E fez a melhor das opções que poderia fazer. Com a sua lendária habilidade política, notória capacidade de negociação, o ex-presidente Temer evitou que o pior acontecesse com o Presidente, e, por extensão, com o próprio País.

LIÇÃO PARA SAIR DA CRISE

Ao entrar no avião presidencial número 2, que foi buscá-lo em São Paulo, Temer já levava a “Declaração à Nação, isto é, o armistício que seria enviado por Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal – que havia contra atacado com veemência os ataques do capitão ao ministro Alexandre de Moraes.

A PAZ IMPROVÁVEL

Ainda de São Paulo, Temer telefonou para o algoz de bolsonaro informando de que o Presidente iria telefonar. Era o surpreendente clímax do jogo de xadrez da paz de Michel Temer. E somente Temer, por ter antigos laços de amizade com o irado ministro, inclusive, por tê-lo indicado para o STF, seria capaz de fazer Alexandre de Moraes fumar o cachimbo da paz com Bolsonaro.

PAZ SEM HUMILHAÇÃO

Porém, isso foi outro golpe de mestre, Temer sabia que o recuo de Bolsonaro era o recuou de quem fora derrotado. Isso bastava. Seria um erro impor à rendição incondicional a um Presidente da República dotado de um temperamento descontroladamente autoritário. Ficou combinado, então, entre Temer e o STF, que Bolsonaro telefonaria para Alexandre de Moraes, mas não pederia desculpas. Não era necessário acrescentar a humilhação à derrota.

PAZ, ATÉ QUANDO?

É impossivel saber. A começar, pelo óbvio: a instabilidade emocional de Bolsonaro. Também é óbvio que o fim do radicalismo político não interessa à Oposição. Particularmente a Lula e não foi por acaso que ele já externou a raivosa insatisfação com essa versão – à semelhança dele nas eleições de 2002 – de um Bolsonaro com a máscara de “paz e amor” acobertando o que realmente continua sendo.

COMO A IMPRENSA VIU 0 7 DE SETEMBRO

Nas manchetes da primeira página: “Em discursos golpistas, Bolsonaro ataca o STF, diz que “não cumprirá” decisões de Moraes e afirma: “Só Deus me tira de Brasília”. (O Globo).
Bolsonaro desafia Supremo e diz que não cumprirá decisões de Alexandre de Moraes. (O Estado de S. Paulo).
Bolsonaro ameaça o STF de golpe, prega desobediência à Justiça e afirma que só sai da Presidência morto. (Folha de S. Paulo).
Bolsonaro diz que não cumprirá de decisões de ministro do STF. (Tribuna do Norte).

OPINIÃO DO COLUNISTA

“Bolsonaro cria clima para seu impeachment”. (Merval Pereira, em O Globo).

OPINIÃO DO GOVERNADOR

“Eu agora sou a favor de impeachmente”. ( João Doria/SP).

SER DERROTADO NÃO BASTA

Após fracasso em superar a fraqueza com gritaria, Bolsonaro faz recuo cínico. (Folha de S. Paulo).
O recuo de Bolsonaro é insuficiente. (O Estado de S. Paulo).

FOI DERROTADO, MAS…

“Desculpas não inocentam. O correto a se fazer será processar, julgar e afastar Bolsdonaro da Presidência”. (Colunista Ascânio Seleme).

E AGORA? O QUE ESTÃO FAZENDO?

Bolsonaro e aliados tentam conter danos (eleitorais) após recuo do presidente frustrar militância. (O Globo).

CUSPINDO O FOGO DO ÓDIO

“Bolsonaro é a mais execrável pessoa que conheci. É bruto, cavalão, um dilmão (comparação com Dilma Rousseff) de chinelão Rider”. (Joice Hasselman, ex-líder do governo na Câmara dos Deputados).

O GOLPE É A BANDEIRA DO MEDO

Como foi dito aqui, e, na grande imprensa, somente pelo colunista J.R.Guzzo, o anunciado golpe do 7 de setembro não poderia haver, simplesmente porque não é o Presidente quem dá golpe. É o Exército. Agora, já começou a ser dito que “o golpe será dado de surpresa”. Antes do próximo 7 de setembro?

MAS O GOLPE JÁ FOI DADO

O golpe que verdadeiramente importa para o povo, até por ser real, não ser marketing eleitoral, é o golpe do custo de vida. E esse golpe não afeta a vida dos super assalariados ministros do STF. Afeta o povo – ou todos os que não são ricos ou ladrões. Esse, sim, foi o golpe de Bolsonaro – o golpe de um governo que abriu a jaula do dragão da inflação.

O HUMOR E A POLÍTICA

“O tambor também faz muito barulho, mas é vazio por dentro”. (Barão de Itararé).


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