Política

PSL X Bolsonaro, entenda as etapas que levaram Delegado Waldir à líder da bancada

A LIDERANÇA DE WALDIR TEM SIDO ENCARADA COMO UMA DERROTA PARA O PRESIDENTE E SEU FILHO, EDUARDO BOLSONARO. FOTO: EVARISTO SÁ/ AFP

Após uma análise minuciosa da Secretaria-Geral da Mesa da Câmara dos Deputados, das três listas apresentadas por bolsonaristas e bivaristas para a liderança do PSL na Câmara, apenas a dos pró-Bivar se sustentou. Dessa maneira, Delegado Waldir (PSL-GO) segue à frente da legenda, o que representa uma derrota para o presidente Jair Bolsonaro e seu filho Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Em apenas alguns minutos após o anúncio público de que a ala mais bolsonarista do partido havia protocolado 27 assinaturas para retirar a liderança do Delegado Waldir (PSL/GO), a ala fiel ao presidente do partido, Luciano Bivar (PE), apresentou outro documento, com 32 assinaturas contrárias a liderança de Eduardo Bolsonaro.

Segundo a Agência Câmara, nas duas listas apresentadas pelo deputado Eduardo Bolsonaro algumas assinaturas não conferiam. Na primeira, que continha 27 nomes, apenas 26 foram confirmados, enquanto na segunda, também com 27, apenas 24 assinaturas eram legítimas. Dessa forma, o filho 02 do presidente não conseguiu confirmar que tinha a maioria da bancada ao seu lado.

Por outro lado, o deputado Delegado Waldir conseguiu confirmar 29 das 31 assinaturas que apresentou e foi chancelado pela Câmara como o verdadeiro líder da bancada. Waldir é ligado ao presidente nacional da sigla, Luciano Bivar (PSL-PE), e tem punido parlamentares da ala bolsonarista com o afastamento de comissões.

Em coletiva, Waldir disse que não haverá expulsões, mas que sanções são estudadas. “Houve um grande embate, muito desgaste”, afirmou, dizendo que chegou a cogitar o acionamento do Conselho de Ética contra correligionários que estariam espalhando notícias falsas contra ele. “Nenhum parlamentar está traindo o presidente”, afirmou.

Reação do Planalto

Contrariado, Bolsonaro se colocou como vítima e tirou a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) da liderança do governo no Congresso. Joice foi uma das signatárias da lista que garantiu o comando de Waldir sobre o partido. O substituto da deputada no cargo será o senador Eduardo Gomes (MDB-GO).

O que Bolsonaro perde com saída do PSL?

Se o presidente Jair Bolsonaro confirmar a saída do PSL, deputados e senadores fiéis a ele deverão fazer o mesmo. Isso trará diferentes consequências para ele, para os deputados infiéis e para o PSL.

Perda do 17

Caso decida deixar o PSL, Bolsonaro terá que se filiar a outro partido para disputar a reeleição em 2022 e, consequentemente, não poderá usar o número 17, que pertence ao partido. O número 17 colou na imagem de Bolsonaro (é usado até em festas temáticas alusivas ao político) e a sua perda poderá prejudicá-lo nas urnas no futuro. Coincidentemente, em 1988, Bolsonaro ganhou sua primeira eleição, para vereador, no Rio de Janeiro, pelo extinto PDC, com o número 17681.

Diminuição da bancada

Com a saída de Bolsonaro do PSL, vários deputados fiéis ao presidente devem fazer o mesmo. Com isso, o PSL, hoje com 53 deputados, e terceira bancada na Câmara dos Deputados (atrás do bloco PP+MDB+PTB e do PT), pode perder a posição para o PL (4ª bancada) ou para o PSD (5ª bancada). Na noite de ontem, a deputada Alê Silva (MG) disse ao site Congresso em Foco que será a primeira baixa efetiva do PSL na Câmara.

Redução do fundo partidário

O PSL é o partido que tem a maior verba do Fundo Partidário, pois foi a legenda que elegeu a maior bancada na Câmara dos Deputados nas eleições de 2018. Os deputados que deixarem a sigla receberão, certamente, vão receber valores menores na nova agremiação que escolherem.

Com informações: UOL e Congresso em Foco


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