Cidades

Projeto “Coletivo das Cores” resgata os valores culturais da Vila de Ponta Negra através da arte

FOTO: DIVULGAÇÃO

Falar sobre a Vila de Ponta Negra é considerar um local de resistência, mantendo viva a cultura e a identidade da região; é falar de um lugar onde ainda é possível encontrar a arquitetura original nas casas e nos hábitos, os pescadores tecendo suas redes e as mulheres elaborando as rendas com seus bilros. Por outro lado, esse cenário também é marcado pelo abandono e pela segregação social e econômica, o que, por muitas vezes, vitimiza seus moradores à violência e à marginalidade sociocultural. Foi nesse cenário tão diverso que surgiu o projeto “Cores da Vila” – que em parceria com artistas como Clarissa Torres, Vivi Fujiwara, Miguel Carcará, Victor Pazciência, Clara Felix, Hellen Rodrigues, e Suco, especializados em grafite e arte urbana, vem ocupando artisticamente muros e espaços públicos, tornando-os galerias a céu aberto, ganhando força e apoio de parceiras público-privadas, a fim de resgatar a originalidade e a autoestima da região.

Em ação conjunta com o projeto Cores da Vila – a produtora cultural Nathy Passos idealizou o projeto “Coletivo das Cores”, selecionado pelo Edital de Economia Criativa do Sebrae 2021, que conta também com o apoio da Fundação Capitania das Artes e Prefeitura do Natal, através das Secretarias de Assistência social e da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos, além de vários esforços de empreendedores da Vila de Ponta Negra.

A Vila de Ponta Negra está localizada nas proximidades da orla da praia de Ponta Negra e da principal Avenida do bairro, por essa razão a especulação imobiliária e o tráfego de turistas na região é intenso. Entre a Vila e um dos maiores cartões postais e orgulho dos natalenses, o morro do careca, existe um caminho cheio de flores e dores, o Beco Sátiro Dias. Há décadas esquecido, o beco receberá com o projeto Coletivo das Cores uma revitalização, resgatando a história local com a arte, levando crianças e adolescentes a ter a oportunidade de retratar seus sonhos, dores, valores e cotidiano através do grafite, colorindo as ruas e afastando-os da ociosidade e da marginalização.

Muito mais do que uma oportunidade de lazer e diversão, o projeto carrega a expressão artística em suas ações, permitindo o desenvolvimento do potencial criativo dos participantes. O maior legado de uma população é o seu território, seu lar, sua cultura e os seus costumes. Colorir um beco esquecido, com arte urbana, homenageando os Mestres da Cultura local, é mais do que um ato de resistência, é a oportunidade de resgatar a essência dos moradores desse lugar tão estigmatizado, dando voz à comunidade e tornando a região mais um ponto de experiência turística a partir da arte urbana, alcançando assim o público nacional e internacional, tendo em vista que Natal é um dos destinos mais procurados por visitantes brasileiros, latinos e europeus.

No dia 23 de outubro será realizado o mutirão para execução dos grafites e para a colocação das cerâmicas na “Travessa Sátiro Dias”, e no dia 06 de novembro acontecerá a abertura oficial do percurso artístico “Beco das Cores e Mestres” e também da Feira Cultural na Praça do Cruzeiro, com diversas atrações artísticas, culturais e gastronômicas.


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