Ambiental

Pesquisadores da UFRN avaliam impactos socioecológicos da presença de gatos domésticos no Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte

A PRESENÇA DOS FELINOS AMEAÇAM A FAUNA LOCAL. FOTO: ARQUIVO/PARQUE DA CIDADE

O Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte é uma Unidade Municipal de Conservação e de Proteção Ambiental e, por lei, tem a função de preservar a flora e a fauna existentes dentro da sua área de 154 hectares e da Zona de Proteção Ambiental – 1, onde está inserido. Porém, há uma proliferação de gatos domésticos na sua área (que aparecem espontaneamente ou são deixados indevidamente pela população) e que ameaçam a fauna nativa, como aves e répteis que fazem parte da sua cadeia alimentar, sem contar as doenças transmitidas a todos os animais existentes na UC.

Analisando esse impacto ambiental, a Profa. Dra. Héderes Silva, do Departamento de Fisiologia e Comportamento da UFRN, está coordenando a pesquisa intitulada “Impactos Socioecológicos da Presença de Gatos Domésticos (Felis catus) em Fragmentos da Mata Atlântica”. De acordo com as primeiras análises da pesquisa, que vem sendo feita desde 2015, “a dinâmica espaço-temporal, parasitologia e impactos ecossistêmicos de gatos domésticos abandonados em áreas florestais. Um dos resultados que vimos, mostra que a população desses animais não se mantém por causa da reprodução, mas sim pelo constante ato de abandono. Nós fizemos monitoramento por um ano e boa parte dos animais já não eram mais avistados após alguns meses. O que ocorre, é que esses animais são adaptados a nossos hábitos, e se os soltamos, eles ficam sujeitos a transmissões de doenças entre eles e entre outras espécies. Além disso, eles ficam sujeitos as diversas condições ambientais do local e ao atropelamento, por exemplo, por estarem em área urbana. O abandono de um animal doméstico é um ato cruel ao animal, a saúde ambiental e a saúde humana”, diz em seu relatório, o professor Paulo Ivo, Coordenador Adjunto do projeto.

Ainda de acordo com o relatório, “os dados iniciais obtidos foram fundamentais para a tomada de duas decisões importantes: estudar o comportamento humano para entender os fatores individuais e culturais que levam pessoas a abandonarem seus animais (tendo em mente a personalidade, condições socioeconômicas e histórico de vida de cada um), e estudar os impactos desses animais em uma reserva florestal de Mata Atlântica que preserva grande quantidade de espécies nativas (naturais daqui) de nossa biodiversidade”.

A pesquisa está na segunda fase, sendo iniciada no Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte, previamente aprovada pelo Setor de Manejo Ambiental da UC e está sendo encaminhada para o Comitê de Ética e Pesquisa com Animais (CEUA) da UFRN. Na primeira fase do trabalho, já aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa em Humanos (CEP) da UFRN), os pesquisadores fizeram divulgação de questionário online e obtiveram um total de 3.336 respostas que estão sendo analisadas. “Queremos replicar nossa ideia inicial, objetivando entender qual o papel ecossistêmico desses animais em uma Área de Proteção Permanente (APP) como essa, visando buscar também a sensibilização das pessoas acerca dos grandes impactos sociais e ambientais que a soltura de animais domésticos como os gatos, pode ocasionar a biodiversidade; sem falar dos possíveis impactos também sobre a saúde humana”, afirma Paulo Ivo.

Os pesquisadores pedem a colaboração dos frequentadores do Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte, enviando fotos e localização dos gatos encontrados na área da Unidade de Conservação e de Proteção Ambiental do Município de Natal. “A participação da sociedade em nos informar as localizações e identificações desses animais é essencial para obtermos resultados com mais eficiência. Nossa ideia não é somente a publicação científica dos resultados, mas também a popularização desses dados à sociedade, visando benefício a todos. Além disso, caso queiram, podem tirar dúvidas diretamente através do e-mail _pauloivo@ufrn.edu.br ”, informa o pesquisador.


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