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Não foi só o trecho copiado de Goebbels; Veja as outras referências ao nazismo no discurso do ex-secretário de cultura

NÃO FOI SÓ O TRECHO COPIADO DE GOEBBELS. HÁ MAIS DO TERCEIRO REICH NO DISCURSO DO AGORA EX-SECRETÁRIO. FOTO: EDSTOCK/ISTOCK

“A arte alemã desta década será heroica, objetiva e livre de sentimentalismo. Será nacional, e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada”.

Como você já sabe, o ex-Secretário da Cultura copiou a frase acima de Joseph Goebbels, só trocando a menção à Alemanha por uma ao Brasil.

Só que há mais ícones da propaganda nazista no resto discurso. Ele fala, por exemplo, que a arte deve glorificar a “harmonia dos brasileiros com a sua terra, assim como enfatizar a elevação da nação e do povo, acima de mesquinhos interesses particulares”.

Na Alemanha nazista, afinal, a arte era uma ferramenta de Estado. Tinha como função engrandecer o nazismo. E nada mais. Daí o “acima de mesquinhos interesses particulares”.

Alvim também cita “as virtudes da fé, da lealdade, do autossacrifício e da luta contra o mal”. O “mal”, num regime nazista, é qualquer coisa que não esteja completamente alinhada aos interesses do Estado. A menção a “lealdade e autossacrifício” é, obviamente, um chamado à guerra. Remete a Mein Kampf (Minha Luta), o livro de propaganda nazista escrito por Hitler, que chamava os alemães a lutar contra “o mal” – no caso, contra os judeus e os comunistas.

Outra menção com ranço nazista é aquela que fala em enaltecer os “mitos fundadores” da pátria. A ideologia nazista glorificava os deuses e as lendas nórdicas, entendendo que o folclore nacionalista deveria guiar as artes. É basicamente o que Alvim falou.

Ele ainda diz que uma “arte nacional” que “terá o poder de nos conferir, a todos, energia e impulso para avançarmos na direção da construção de uma nova e pujante civilização brasileira”.

Criar uma nova civilização alemã” era um dos motes do Terceiro Reich. De novo, Alvim só trocou os países.

Música de fundo

A música utilizada no vídeo é a ópera Lohengrin, de Richard Wagner. Hitler era um amante de óperas e fã de Wagner. Na autobriografia ‘Minha luta’, ele descreve como assistir à obra wagneriana Lohengrin pela primeira vez, aos 12 anos de idade, foi uma experiência que mudaria sua vida.

Durante o Nazismo, obras de compositores judeus como Mendelssohn e Mahler foram banidos, e obras do compositor alemão Wagner foram promovidas —o que lhe rendeu grande popularidade.

Não tivesse citado Goebbels ipsis litteris, o discurso de propaganda nazista de Alvim talvez tivesse passado batido. Bom ele ter citado, já que aí não restam mais dúvidas sobre de onde vem sua inspiração.

Com informações: Super Interessante


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