Polêmica

Internautas lamentam derrubada às pressas de casarão icônico em Petrópolis

FOTO: ANDERSON TAVARES

A demolição sumária de mais uma emblemática casa modernista do bairro de Petrópolis provocou uma comoção nas redes sociais. Localizada na Rua Joaquim Manoel, número 731, em Petrópolis (em frente à praça Aristófanes Fernandes – ‘Praça das Flores’), a residência era um dos poucos exemplares da arquitetura moderna em Natal ainda em bom estado de conservação— até pouco tempo no local funcionava um salão de recepções.

Chamava a atenção por reunir uma variedade de elementos do estilo moderno como a fachada livre, terraço, janela em fita e área sustentada por pilots. Além de estéticos como a rampa em formato helicoidal, arcos de cerâmica e o teto com recorte geométrico em borboleta. Para quem a estudava, a casa tinha um valor incalculável pela diversidade de revestimentos, dentre os quais se destacava o painel de jangadeiro feito de cacos de cerâmica. Em 2012 foi parcialmente descaracterizada para abrigar uma loja de decoração.

Nas redes sociais, internautas lamentavam o desaparecimento de mais um elemento da história paisagística da capital. A procuradora geral Marjorie Madruga descreveu que o exemplar modernista foi “varrido às pressas em um final de semana, em uma demolição sorrateira e escondida, feita para que poucos a vissem”, comentou.

 A maioria arrisca o palpite que no local será construída uma filial de redes de farmácia. Vale lembrar que a especulação imobiliária envolvendo redes de drogarias já é uma prática em Natal. Nesse processo muitas casas antigas foram ao chão.

Em 2015, arquitetos fizeram um ato de protesto em frente aos escombros do sobradinho da av. Nilo Peçanha onde funcionou o Conservatório de Música Frederico Chopin, demolido para abrigar uma drograria Globo. 

Na dissertação de mestrado “Meio século de Arquitetura – Um panorama da produção modernista natalense 1930 – 1980”,  a arquiteta Maria Heloisa Alves de Oliveira analisa a disseminação da linguagem moderna até breve destruição desta arquitetura jovem e ligada a identidade nacional, a partir da década de 1980. “Foi a partir dessa década que presencia-se um feroz fenômeno de dilapidação de edifícios mais antigos, sobretudo os modernistas, localizados, na maioria, em áreas economicamente valorizadas que vem sendo intensamente verticalizadas”. A casa da Rua Joaquim Manoel foi um dos prédios estudados no trabalho acadêmico.

FOTO: REPRODUÇÃO/REDES SOCIAIS

Com informações do site Tipicolocal/ Cinthia Lopes


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