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Grampos mostram PM do Bope-RJ negociando morte de major com bandido: ‘Forja assalto e rasga ele’

CRIMINOSO FORAGIDO, LACOSTE SERIA O EXECUTOR DO PLANO DE MORTE CONTRA O MAJOR. FOTO: REPRODUÇÃO

Um policial militar do Batalhão de Operações Especiais (Bope) sugeriu ao chefe do tráfico do Complexo da Serrinha, em Madureira, que matasse um major que combatia o crime na favela. Mensagens interceptadas pela Polícia Federal com autorização da Justiça entre 2014 e 2015 revelam que o PM tentou convencer Walace de Brito Trindade, o Lacoste — criminoso foragido com mandados de prisão por roubo, tráfico e homicídio — a forjar um assalto para executar um oficial do 9º BPM (Rocha Miranda) que chefiava, na ocasião, uma ocupação policial na Serrinha. O policial, que dava detalhes da rotina do Bope para o traficante e o alertava previamente sobre operações da unidade, até hoje não foi identificado.

O GLOBO teve acesso aos diálogos com exclusividade. No dia 13 de novembro de 2014, o PM usou o aplicativo BlackBerry Message para entrar em contato com o traficante, que era monitorado pela PF. Ele chama o criminoso de “meu rei”. “Bom dia meu rei tudo tranquilo, ou esse brocha do X. ta zoando a comunidade????”, pergunta o PM, se referindo ao major pelo sobrenome. A identidade do oficial será preservada. “Tá, meu rei nem fala”, responde Lacoste.

“Pow meu rei manda buscar ele em casa sem levantar suspeita. No sapatinho levanta onde mora e manda pescar. É o único jeito, ou então espera esse arrombado sair que já tá perto”, sugere o PM. “Manda ver onde mora e quando ele for sair da casa, forja um assalto e rasga ele”, completa o policial em seguida.

Uma semana depois, o PM volta ao assunto: “Tem que ser longe daí”, escreveu, em 20 de novembro. “Glock com silenciador e carregador goiabada de 100 tiros pow vai brincar com ele. Esse cara tá com marra de brabo. Manda ele pro caralho”, completou, fazendo referência à arma que seria usada no crime. “Correto, vou ver. Tinha que arrumar uns caras pra fazer essa parada meu rei”, responde o traficante. “Não é difícil não”, finaliza o agente. Eles não voltam a falar sobre o assunto. O oficial alvo da dupla segue na PM.

O Globo


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