Polícia

Funcionário diz ao jornal Folha de S. Paulo que detentos que não matavam rivais acabavam mortos

Agente mantido refém relata que todos os presos participaram de carnificina em Manaus Seap / Divulgação/Divulgação

MASSACRE NO COMPLEXO PENITENCIÁRIO ANÍSIO JOBIM (COMPAJ) COMPLETA UMA SEMANA FOTO: SEAP / DIVULGAÇÃO / DIVULGAÇÃO 

Um agente penitenciário mantido refém por detentos do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, relatou que todos os presos participaram da carnificina que matou 56 detentos de uma facção rival no último domingo. O funcionário da Umanizzare, empresa que atua na prisão, concedeu uma entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.

Ele contou que os 12 reféns foram poupados pelos presos, mas não pelos policiais. Segundo o agente, houve violência generalizada no massacre:

— Na hora de deixar o lixo, os presos (da facção Família do Norte) pegaram uma oportunidade para chegar até a área do PCC. Eles renderam um agente (penitenciário) que iria trocar (de turno) e invadiram. E começou o tiroteio. Em cada um dos quatro pavilhões havia dois representantes (dos presos).

Conforme o funcionário, representantes dos presos disseram para os internos que não deveriam machucar os agentes, uma vez que a briga era entre os detentos da facção rival. Mas, segundo ele, a “própria polícia estava dando tiro” contra os agentes e “não queriam saber se era agente ou bandido ali”.

— Todos os presos participaram da carnificina. Só não participou quem morreu. Os que se escondiam morriam. Os que se escondiam no forro, (os presos amotinados) iam lá, matavam e jogavam para baixo. Os que se escondiam em cima do telhado, eles levavam para a quadra — disse.

O agente ainda relatou que os apenados matavam os demais com um tiro e depois os cortavam, retirando o coração e a cabeça. Desde então, o homem só consegue dormir sob efeito de medicamentos. Ele também acredita que aconteceram mais do que 56 mortes, porque corpos teriam sido escondidos no esgoto.

O refém ainda contou que os presos tiveram “mais consideração” com os agentes do que com o governo. Depois de se referir ao anúncio de que as famílias dos presos mortos receberiam ajuda, questionou:

— E os agentes que estavam lá, que sofreram represália? Eu não retorno mais (ao presídio), não. Tenho certeza que vou sair dessa vida. O dinheiro que ganha não vale a pena, menos de R$ 2 mil. Fora o risco de morte.

Fonte: Zero Hora


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