Polícia

Família do Norte filma decapitação e distribui imagens; prática era uma das marcas do PCC

Os detentos da Família do Norte fizeram pelo menos quatro vídeos com celulares mostrando os corpos de seus desafetos do Primeiro Comando da Capital (PCC) e de outras vítimas da rebelião que deixou 56 mortos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus. Com até 3 minutos de duração, os vídeos são acompanhados pela narração dos bandidos, chamando as vítimas de “nego safado” e “canalha”. A maioria está com a cabeça cortada ou gravemente mutilada.

Foto: Daniel Teixeira/Estadão
IML de Manaus

Familiares de presos aguardam na frente do IML de Manaus a liberação dos corpos de parentes mortos no massacre

As imagens da decapitação de rivais – prática que era uma das marcas do PCC – seriam uma forma de a facção demonstrar força. “Cortar as cabeças é uma forma de intimidar os inimigos e isso ficou mais fácil com as mídias sociais, com as imagens transmitidas por meio dos telefones celulares”, afirmou o procurador de Justiça, Márcio Sérgio Christino, especializado no combate ao crime organizado.

Em outro dos vídeos é possível ver um dos presidiários reunindo as cabeças das vítimas e descrevendo uma a uma quem seriam, todas acusadas de pertencer ao PCC. Uma terceira sequência exibe um bandido cortando a cabeça de um dos mortos. O responsável pela decapitação veste luvas cirúrgicas.

De acordo com Christino, a primeira facção que adotou a prática de cortar a cabeça dos desafetos foi o PCC. “Foi uma das lideranças, o preso Jonas Mateus, que começou com isso. Ele era açougueiro.”

No caminho para consolidar seu monopólio nas cadeias paulistas, o PCC decapitou em 1999, durante uma rebelião na Casa de Custódia de Taubaté, os presos Max Luis Gusmão de Oliveira, o Dentinho, Ademar dos Santos, o Da Fé, e Antonio Carlos dos Santos, o Bicho Feio, fundadores da facção rival CRBC. Uma das cabeças foi atirada nos pés do magistrado que negociava o fim da rebelião.

Mateus chegou a ser considerado o segundo homem na hierarquia da facção e tinha 30 anos quando foi morto na Penitenciária de Araraquara, em 30 de novembro de 2001, durante a série de mortes na cúpula que consolidou o poder de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola. Mateus acabou com a cabeça cortada. “Essa prática agora se generalizou. É muito provável que nas próximos rebeliões outras decapitações sejam filmadas e distribuídas pelo WhatsApp”, disse Christino.



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