Política

Falta de orçamento não pode comprometer Censo 2020, defende Styvenson

PARA APLICAR O ORÇAMENTO DE FORMA EFICIENTE É PRECISO SABER O QUE O PAÍS PRECISA, QUAL A REAL NECESSIDADE”, ARGUMENTOU STYVENSON. FOTO: GERALDO MAGELA/AGÊNCIA SENADO

O senador Styvenson Valentim (Pode-RN) presidiu a audiência pública desta segunda-feira (19), na Comissão de Direitos Humanos (CHD), sobre o corte no orçamento e redução do número de questionamentos do Censo 2020. “Como será a simplificação do questionário? Quais as mudanças previstas? Dá para manter a eficiência do trabalho? O IBGE é uma fonte confiável que eu sempre pesquiso. Não há como traçar nenhuma política pública se não tiver estatística. Para aplicar o orçamento de forma eficiente é preciso saber o que o país precisa, qual a real necessidade”, ponderou Styvenson.

A vice-presidente do Conselho Curador do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), Wânia Sant’Anna, também questionou a redução do questionário de 37 para 25 perguntas. “Para mim, tirar informações essências do censo é muito ruim. Não é questão de orçamento, é questão política. Algumas informações foram retiradas e são importantes. O censo do Brasil é complexo e diverso. Será que vamos ter nossas perguntas respondidas? ”, indagou Sant’Anna.

Para Mara Vilma Salles, coordenadora operacional do Censo, as mudanças não vão comprometer o resultado. “Dentro do ajuste da crise fiscal e da restrição orçamentária, teremos foco em uma operação enxuta e eficiente. Faremos alguns ajustes na logística, dentro do mesmo tempo de coleta, de agosto a outubro de 2020. Como 70% do orçamento é para pagamento de pessoal, reduzimos o número de recenseadores de 203.000 para 180.541, diminuindo também o número de revisores de 26.000 para 21.861, mas manteremos a cobertura em todo o território nacional, aumentando a produtividade com a redução do tempo do questionário básico de 7 para 4 minutos”, observou a coordenadora.

O Censo é fundamental para que as autoridades públicas possam ter uma espécie de radiografia do que está ocorrendo nas questões socioeconômicas das diferentes regiões do país. A partir da resposta do questionário e da análise da pesquisa, é possível ter uma visão das principais necessidades e agir com mais assertividade nas áreas que requerem investimento com mais urgência. “O nosso censo será único. Aqui nós temos 5.568 municípios e precisamos de informações para preencher as lacunas demográficas, social e federativa. Temos de estar atentos a essa questão. Entrar quesitos novos, não testados, vai contra a boa prática de realização do censo”, defendeu Claudio Crespo, ex-diretor de pesquisa e servidor do IBGE.

De acordo com os especialistas, comparado aos levantamentos realizados em todo o mundo, o questionário brasileiro continua sendo maior do que em outros 76 países. Nos Estados Unidos são 13 perguntas, no Canadá 16 e na China 11. Este ano, no Brasil, o orçamento previsto é de R$ 2,3 bilhões. Pouco mais de R 1,5 bilhão é para pagamento de pessoal e o restante, para custeio, investimento e publicidade. “Cortes, tanto de orçamento como de pessoal, afetam e deixam no escuro o planejamento de políticas públicas eficazes. Censo não é gasto, é investimento“, defendeu a coordenadora do núcleo sindical do Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Fundações Públicas Federais de Geografia e Estatísticas (Assibge) e da Campanha Todos pelo Censo, Luanda Chaves Botelho.

Outra questão apontada na audiência foi a dificuldade que alguns recenseadores enfrentam na hora de contar com a colaboração das pessoas para responderem às perguntas. A lei 5.534/1968 determina a obrigatoriedade da prestação de informação, sob pena de multa. O senador Styvenson Valentim, atento ao cumprimento da lei, apelou para sensibilidade do povo brasileiro em relação à importância de todos colaborarem. “É importante que cada um faça a sua parte. Não sou favorável à multa, sou favorável que as pessoas colaborem espontaneamente, sem coerção por livre iniciativa. O censo é muito importante para que os investimentos sejam mais eficientes. A gente quer é o melhor para o nosso país. Que seja o mais transparente, objetivo e preciso. Os autistas vão ser incluídos nesta edição do censo e precisamos pensar em como assegurar a inclusão dos moradores de rua, [portadores da] Síndrome de Down, entre outras populações em situação de fragilidade social para termos uma melhor visão de como realizar políticas públicas mais efetivas”, ponderou o senador ao finalizar a audiência


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