Política

Ex-prefeito de Natal lamenta descaso com as Centrais do Cidadão e lembra que não basta apenas ‘cuidar do aspecto físico’ delas

O ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves, publicou neste domingo, em seu perfil no Facebook, uma reflexão, no mínimo, curiosa com relação à manutenção das Centrais do Cidadão na capital e Interior do Estado. Leia abaixo:

O Governo do Estado vem anunciando a construção de novas centrais do cidadão nas principais cidades do Rio Grande do Norte e também a reforma das já existentes, como parte do projeto de melhoria do serviço público, uma das vertentes do acordo de empréstimo do Banco Mundial. Ótimo, porque as centrais foram totalmente sucateadas nas últimas gestões estaduais por incompetência ou incúria. O descaso com aquelas unidades foi sem tamanho. Além da degradação das instalações, também o pessoal foi descuidado e, consequentemente, desmotivado, resultando na piora dos serviços.

Este serviço foi implantado por nós como Secretário de Estado no Governo Garibaldi Filho. Foi um projeto que mudou a face do serviço público entre nós, visto até então pela população como moroso e viciado, incapaz de dar respostas aos mínimos pleitos do cidadão. O serviço que implantamos, ao contrário, ganhou quase 100% de aprovação em sucessivas pesquisas por 5 anos. Foi um modelo vitorioso desde a inauguração da primeira unidade e que satisfez tanto ao usuário como ao servidor.

E qual foi a ótica da central do cidadão? A resposta é simples. Eficiência nos serviços através de um programa anual de qualificação, de valorização do servidor, do afastamento de indicações políticas, da meritocracia para o pessoal. Tudo isso resultou na elevação da autoestima de cada servidor, e funcionário satisfeito se traduz em bom trabalho na resolução dos problemas da população. Por isso, louvo a iniciativa da gestão atual, mas advirto que não basta cuidar do aspecto físico daquelas unidades. A filosofia que implantamos vai muito além disso.

É preciso estar atento para o princípio da eficiência de modo a fornecer permanentemente serviços adequados, eficientes e seguros. Em outras palavras, o que o cidadão busca é qualidade, celeridade e simplificação. Ele quer respostas rápidas e racionais. Para tanto, faz-se necessário um consistente programa de qualificação do funcionário público, embasado em técnicas modernas de atendimento e prestação de serviço. E este é um conceito fundamental para os bons resultados do que é oferecido ao cidadão.

Hoje, o serviço público não se mede apenas pelo aspecto quantitativo, mas sim pelo lado qualitativo do que é ofertado, de vez que concorre para a ineficiência da prestação do serviço público o baixo estímulo à contínua qualificação dos servidores. Somente a qualificação pode erradicar de vez o estereótipo de que “funcionário público não trabalha”. Na verdade, de modo geral o servidor é abnegado, preocupado em oferecer o melhor serviço, em dar a melhor resposta quando requisitado.

Para tanto necessita das ferramentas adequadas que só um bom treinamento pode dar. Concluindo, não basta cuidar do aspecto físico de cada unidade da central do cidadão e instalá-la com os equipamentos adequados, aspectos essenciais para receber bem e com conforto aqueles que procuram a unidade para resolver suas questões. O fundamental é investir no material humano para voltar a ostentar o conceito de excelência de outrora.

*CARLOS EDUARDO*

*Ex-prefeito de Natal*


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