Turismo

EDITORIAL: turismo do RN definha, sob a vergonhosa apatia de uma bancada federal inerte

Atuação anêmica dos senadores e deputados federais potiguares faz suas vítimas e a principal delas é o turismo norte-rio-grandense. Arte/Reprodução

Os deputados federais e senadores do Rio Grande do Norte certamente se melindram quando escutam as vozes das ruas sentenciarem que os parlamentares eleitos e reeleitos nas eleições de 2018 integram a “pior bancada federal” dos últimos anos.

Esse é o preço que os parlamentares federais pagam por uma atuação apática que tentam mascarar através da divulgação de ações isoladas, que na maioria das vezes só focam os seus interesses eleitoreiros.

A atuação anêmica dos senadores e deputados federais potiguares faz suas vítimas e a principal delas é o turismo norte-rio-grandense, uma atividade que embora envolva inúmeros setores que fomentam a economia estadual, hoje definha diante da inércia de parlamentares que fingem não ver que o estado que outrora era considerado o “cisne” do turismo nacional, hoje amarga o papel de “patinho feio” no ranking dos destinos turísticos brasileiros.

Natal e o Rio Grande do Norte se tornaram “especialistas” em perder, rotineiramente, espaço para estados vizinhos. Os mesmos  que no passado prestavam reverência  à pujança turística que o nosso estado ostentava.

A apatia dos parlamentares do Rio Grande do Norte é o retrato inverso da união e dinamismo que a bancada do Ceará, por exemplo, exibe na hora de alavancar benefícios para o turismo do seu estado.

Enquanto o Rio Grande do Norte assiste inerte a degradação da sua malha aérea e a transformação do estado em uma “ilha”, a bancada cearense comemora conquistas.

É do estado do Ceará o presidente da ANAC, a poderosa Agência Nacional de Aviação Civil, que manda e desmanda quando o assunto é a aviação nacional.

O cearense José Ricardo Botelho, presidente da ANAC, no exercício do seu papel, tem feito o que pode para agigantar o turismo de sua terra natal, enquanto o turismo do Rio Grande do Norte sucumbe diante do imobilismo dos nossos deputados federais e senadores.

Direito de pergunta: em um momento em que o governo federal precisa do voto de cada um dos parlamentares para aprovar projetos que considera como sendo de interesse nacional, será que a nossa bancada ainda não descobriu a força que pode ter para exigir da ANAC tratamento igualitário para o Rio Grande do Norte, ou pleitear a substituição do titular do órgão federal?

Atualmente para se chegar na capital potiguar o passageiro tem que se submeter a uma verdadeira via crucis aérea. Sem voos, Natal hoje é uma cidade isolada do polos emissores de turismo e dos grandes centros fomentadores de negócios.

O empresário potiguar Marcelo Alecrim, dirigente do grupo Ale, relatou recentemente a dificuldade que enfrenta para realizar em Natal reuniões com investidores e executivos oriundos do sul do país. Ele chegou à conclusão de que é melhor promover esses encontros empresariais em São Paulo, do que trazer seus parceiros empresariais para uma cidade onde voar se tornou um problema.

O fato é que o turismo potiguar definha, e só a bancada federal do Rio Grande do Norte parece não enxergar.

Sem voos, Natal hoje é uma cidade isolada do polos emissores de turismo e dos grandes centros fomentadores de negócios. Foto/Reprodução

O também empresário e hoteleiro Abdon Gosson, presidente da Associação Brasileira de Agências de viagens no Rio Grande do Norte, profetizou dias atrás que se não houver uma mudança radical do status quo do turismo do Rio Grande do Norte, hotéis vão começar a fechar suas portas.

O cenário caótico da indústria do turismo do estado afeta não só o turismo de lazer e o de eventos, mas afugenta também investidores.

Empresária do setor, a secretaria estadual de Turismo, Aninha Costa, e o seu colega gestor do turismo natalense, Fernando Fernandes, fazem além do que podem para transformar em limonada o suco de limão amargo que hoje é o nosso turismo.

Ambos são gestores, mas não mágicos.

A Prefeitura da capital, por exemplo, tem investido o que pode e o que não pode para atrair turistas para Natal, através da promoção de grandes eventos, que em qualquer do mundo servem para gerar fluxo turístico.

O governo do Estado e o empresariado fazem também a sua parte se cotizando para participar das grandes feiras de turismo nacionais e internacionais.

Porém é difícil, para não dizer quase impossível, trabalhar um destino turístico pessimamente servido de voos e com tarifas aéreas que são verdadeiras extorsões ao bolso dos viajantes.

Se os gestores públicos e o empresariado do setor pudessem contar com uma bancada federal que atuasse além do“mimimi” a que é acostumada, talvez o turismo de Natal e do Rio Grande do Norte voltasse a ser uma ilha de prosperidade, ao invés de um destino turístico que tem o seu estado de coma agravado a cada dia.


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