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Dallagnol tentou influenciar chefia do BB por meio do portal O Antagonista, diz site

O THE INTERCEPT ACUSA O PROCURADOR DE TRABALHAR EM CONJUNTO COM OS JORNALISTAS DIOGO MAINARDI E CLAUDIO DANTAS PARA IMPEDIR QUE IVAN MONTEIRO ASSUMISSE A PRESIDÊNCIA DO BB. FOTO: FERNANDO FRAZÃO/AGÊNCIA BRASIL

O procurador Deltan Dallagnol, coordenador da Operação Lava Jato no Paraná, teria trabalhado em conjunto com o portal de notícias O Antagonista para impedir que Ivan Monteiro assumisse a presidência do Banco do Brasil em novembro de 2018. É o que afirma reportagem do site The Intercept Brasil publicada nesta segunda-feira, 20.

A notícia faz parte da Vaza Jato e veicula uma série de mensagens atribuídas a Dallagnol e outros procuradores da operação, além de Diogo Mainardi e Claudio Dantas, jornalistas à frente do O Antagonista.

À época do governo de transição do governo Bolsonaro, Guedes expressava preferência em colocar Monteiro, ex-presidente da Petrobras, na chefia do BB (Banco do Brasil). De acordo com a reportagem, o nome não agradava os procuradores da operação Lava Jato, que procuraram evidências que implicassem o executivo.

21 de novembro de 2018 – Grupo Filhos do Januário 3

  • Deltan Dallagnol – 17:55:49 – Caros, o que temos do Monteiro mesmo?
  • Dallagnol – 17:56:04 – https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/11/nomeacao-de-monteiro-para-bb-enfrenta-resistencia-da-area-politica-de-bolsonaro.shtml
  • Athayde Ribeiro Costa – 17:56:49 – De concreto nada: mas uns manuscritos apreendidos com Bendine sao mt suspeitos
  • Dallagnol – 17:58:04 – Vc consegue identificar? Se forem públicos, essa é a hora de lembrar deles
  • Dallagnol – 17:58:15 – Se [nome suprimido] ou alguém puder separar seria ótimo
  • Jerusa Viecili – 17:58:20 – https://www.oantagonista.com/brasil/presidente-bolsonaro-pergunte-moro-quem-seria-o-ivan/
  • Costa – 17:58:34 – Ja pedi pra levantar
  • Viecili – 17:58:46 – antagonista é mais rápido

O Antagonista já havia publicado reportagens contrárias à nomeação do ex-presidente da Petrobras. O executivo era considerado próximo a Aldemir Bendine, ex-presidente do BB e da Petrobras preso pela operação Lava Jato. Depois do diálogo acima, Dallagnol teria enviado documentos a Cláudio Dantas em que Monteiro era citado.

Dantas teria respondido com “Legal. Amanhã posto”. As mensagens datam da madrugada de 22 de novembro. Mais tarde, no mesmo dia –antes que O Antagonista publicasse os supostos documentos–, Guedes anunciou Rubem Novaes para comandar o BB.

PARCEIRA EXTENSA

Intercept afirma que a colaboração entre a força tarefa e O Antagonista é anterior ao episódio de Ivan Monteiro. Eis uma lista de outros casos em que teria havido colaboração:

  • Gráfica VTB (novembro de 2015) – o jornalista Diogo Mainardi sugeriu a Dallagnol que a operação investigasse gráfica suspeita de lavar dinheiro para a campanha de Dilma.  “Não podemos infelizmente começar uma investigação do nada em um local diferente da gráfica, sem que algo da lava jato nos leve ao fato”, teria replicado Dallagnol.
  • Masock (dezembro de 2015) – a pedido de Dallagnol, O Antagonista parou de veicular matérias sobre empresa offshore alvo da Lava Jato. “Januario lhe fornecerá, assim que possível, informações sobre esse assunto de modo prioritário se Vc puder segurar essas informações, como uma forma de agradecer sua contribuição com o caso”, teria prometido o procurador.
  • Nora de Lula (janeiro de 2016) – Dantas teria sugerido a Januário Paludo, um dos procuradores da força-tarefa, que investigasse os dados ficais de Marlene Araújo Lula da Silva, nora do ex-presidente petista. Outra troca de mensagens indica que Paludo acionou uma fonte na Receita Federal.
    A força-tarefa chegou a pedir formalmente a quebra do sigilo bancário, que foi negada pelo então juiz Sergio Moro. Marlene nunca foi indiciada pela operação.
  • Escolha do procurador geral (junho de 2017) – o então presidente Michel Temer estava para escolher o novo procurador geral da república, que poderia limitar o andamento da Lava Jato. A lista tríplice é eleita pelos procuradores, da qual o presidente selecionaria um nome.
    Dantas pediu que Dallagnol indicasse “o nome certo” para o jornal apoiar, “em off, claro”. Dois procuradores ligados à força tarefa entraram na lista, mas Temer escolheu a 3ª opção, Raquel Dodge.
  • Rodrigo Tacla Duran (agosto de 2018) – o jornal El País pediu à assessoria do MPF (Ministério Público Federal) uma declaração sobre o caso de 1 investigado na Lava Jato residente na Espanha. A defesa alegava que os procuradores não quiseram ouvir o lado de Duran em uma audiência.
    Os procuradores localizaram um documento atestando que o acusado ficou em silêncio durante a ocasião. Deram preferência a enviar o material ao Antagonista, que não havia pedido informações sobre o caso. Eles foram os primeiros a divulgar a informação.

Parte das mensagens divulgadas pelo Intercept sugere que a relação entre procuradores e O Antagonista era desaprovada pelos assessores de comunicação do MPF. “Antagonista não é site jornalístico, é um blog de opinião”, teria afirmado um deles em um dos diálogos.

OUTRO LADO

A força-tarefa afirma que  “não há qualquer favorecimento ou privilégio no fornecimento de informações. Ao longo da operação Lava Jato, foram recebidas informações sobre supostos crimes de diferentes fontes, jornalistas ou não. O procedimento adotado é realizar a investigação, o que pode ser antecedido, quando pertinente, por uma verificação preliminar da informação, autorizada pela lei”. 

Sobre o caso de Marlene, a Lava Jato declarou que “todos os acessos da força-tarefa a informações protegidas por sigilo seguiram mecanismos previstos em lei. O site realiza especulação sem qualquer base palpável. A justificativa de pedidos feitos pelo MPF podem ser consultadas nos autos”.

A força-tarefa também comentou o pedido de Dallagnol parar suspender as reportagens sobre a Masock: “A Lava Jato, sempre que percebe que jornalistas estão de posse de informações que possam comprometer operações em andamento, pode solicitar, para o bem da investigação e do interesse público, que aguardem a finalização da investigação. De isso ocorreu, tal conduta é lícita e recomendável para não comprometer buscas, prisões e outras medidas”

A Lava Jato afirmou ainda que “as mensagens que são atribuídas à força-tarefa têm sido usadas de modo descontextualizado ou deturpado, para fazer acusações que não correspondem à realidade.

A VAZA JATO

As mensagens entre procuradores e membros da força-tarefa da Lava Jato começaram a ser publicadas no início de junho pelo The Intercept e outros veículos. O caso ficou conhecido como Vaza Jato. Deltan Dallagnol e os outros procuradores tiveram o conteúdo de conversas atribuídas a eles na série de reportagens. Eles contestam a autenticidade das mensagens, mas não indicam os trechos que seriam verdadeiros e falsos.

Poder360


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