CARNAVAL 2020

Com cenas fortes, Mangueira troca polêmica por reflexão ao apresentar as várias faces de Jesus

COMO PROMETIDO, FORAM VÁRIAS FACES DE JESUS REPRESENTADAS DA COMISSÃO DE FRENTE AO ÚLTIMO CARRO. FOTO: MARCELO THEOBALD / AGÊNCIA O GLOBO

A polêmica do pré-carnaval foi substituída por olhares admirados quando a Estação Primeira de Mangueira entrou na Avenida para contar a vida de Cristo. Como prometido, foram várias faces de Jesus representadas da comissão de frente ao último carro, passando pela rainha de bateria, Evelyn Bastos. Numa sucessão de cenas fortes, o carro “O Calvário” tinha um Jesus negro crucificado que alcançava cerca de 20 metros de altura. No mesmo carro, pessoas de diversos perfis, como negros, mulheres e LGBTs vinham crucificadas.

– Acho que as pessoas entenderam o recado. No meio da polêmica, não tinha nada no desfile que eu temesse. Não sou uma pessoa de ter medo. E vi as pessoas surpresas com o desfile – disse o carnavalesco Leandro Vieira, cansado depois de ter ajudado o Império Serrano na sexta e ter sido o carnavalesco da Imperatriz no sábabo.

Numa das cenas mais impactantes, a rainha de bateria Evelyn Bastos era um Cristo com uma coroa de espinhos:

– Estou emocionada com a reação do público. É um misto de alívio e dever comprido. Mas foi uma das coisas mais difíceis que já precisei enfrentar: atravessar uma Sapucaí inteira sem sambar foi inédito pra mim – disse ela.

O administrador Luiz Eduardo Fontes se encantou com a maneira como Evelyn Bastos encarnou o personagem:

– Ela está literalmente divina. É emocionante ver a maneira respeitosa que ela está interpretando Jesus. Pra mim é a Rainha das Rainhas. Uma mulher forte e que representa a comunidade da Mangueira divinamente.

O Globo



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