Brasil

Barroso, que levou Dallagnol para jantar em casa, chama Vaza Jato de “fofocada”

“É DIFÍCIL ENTENDER A EUFORIA QUE TOMOU MUITOS SETORES DA SOCIEDADE DIANTE DESSA FOFOCADA PRODUZIDA POR CRIMINOSOS”, DISSE BARROSO

Envolvido em diálogos da Vaza Jato divulgados pelo colunista Reinaldo Azevedo, da BandNews, em parceria com o The Intercept Brasil, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, chamou de “fofocada” a troca de mensagens entre os procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato, entre eles Deltan Dallagnol, e o então juiz federal Sérgio Moro, hoje ministro da Justiça do governo Bolsonaro.

“É difícil entender a euforia que tomou muitos setores da sociedade diante dessa fofocada produzida por criminosos”, afirmou nesta sexta-feira (2), em palestra na Associação Comercial e Industrial de São José dos Campos (SP). O ministro do STF promoveu um coquetel reservado para Moro, Dallagnol e outros integrantes da Lava-Jato.

“Nada encobre o fato de que a Petrobras foi devastada pela corrupção. Não importa o que tenha, não importa o que saia nas gravações”, insistiu o ministro em sua fala aos empresários. “Parte da agenda brasileira hoje foi sequestrada por criminosos”, continuou dizendo haver “mais fofocas do que fatos relevantes” nas conversas obtidas pelo The Intercept e que vêm sendo divulgadas por outros veículos que atestam sua veracidade.

Estratégia comum

Barroso repete a estratégia de Moro e Dallagnol que desvia para a atuação de supostos hackers que teriam invadidos os celulares dos agentes públicos. Moro chegou a dizer que as reportagens que comprovam atuação parcial e ilegal dele frente à Lava Jato estariam “beirando o ridículo”. Desde o início da série de reportagens, o site declara ter recebido o material de uma fonte anônima e que preserva o seu sigilo, que é uma garantia constitucional. As mensagens entre Moro, Dallagnol e outros procuradores da Lava Jato remontam a 2015.

Nas conversas, Moro extrapola de seu papel de magistrado e dá claras recomendações aos procuradores da Lava como cobrar operações e até oferecer dicas à acusação. O Código de Processo Penal, é claro em casos dessa natureza. “O juiz dar-se-á por suspeito, e, se não o fizer, poderá ser recusado por qualquer das partes” se “tiver aconselhado qualquer das partes”. Sentenças proferidas nessas condições são passíveis de anulação.

Revista Fórum


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