Saúde

Artigo: Recebi o diagnóstico de câncer do meu filho, e agora?

Lady Kelly Farias da Silva

Terapeuta Ocupacional – Casa Durval Paiva

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Receber o diagnóstico de câncer definitivamente não é fácil, é um momento extremamente delicado em qualquer fase da vida. E, para os pais receberem este diagnóstico do filho é muito mais complicado. Muitas são as perguntas que surgem, além dos medos do que está por vir, da insegurança do desconhecido, de como lidar com toda essa situação que, literalmente, não estava nos planos de vida do filho, que se encontra em pleno desenvolvimento na escola, fase de brincadeiras, com estímulos em todos os aspectos, perguntam-se então como serão os próximos capítulos.

De acordo com os pesquisadores Anders, Lima e Rocha (2005), ser portadora de uma doença crônica, que necessita de tratamento agressivo, leva a criança e sua família a se defrontarem com um grande desafio e a capacidade de adaptação à doença depende de fatores como: apoio familiar e social, acesso aos serviços de saúde, características individuais, complexidade da doença, suporte da equipe de saúde, entre outros.

Nesse contexto, surgem as casas de apoio, com o objetivo de proporcionar suporte necessário às pessoas que estão passando por este momento de grandes dúvidas, onde possam encontrar o mínimo de acolhimento. A Casa Durval Paiva busca oferecer bem estar durante esta fase de tratamento, proporcionando o suporte global às crianças e adolescentes com câncer e doenças hematológicas, assim como, seus acompanhantes, mediante uma assistência interdisciplinar.

Importantes questões como a dificuldade das famílias em iniciar e dar continuidade ao tratamento devido ao alto custo; a precariedade do transporte público e a falta de uma dieta balanceada são identificadas; Além da hospedagem, atendimento de qualidade, através de uma equipe preparada e disponível nas áreas de serviço social, orientação psicológica, dentistas, pedagogas, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, suporte nutricional adequado, médica, farmacêutica, a instituição oferece na sala de artes, um espaço onde é possível os acompanhantes receberem capacitação profissional para que tenham uma renda extra, já que não conseguem um trabalho fixo, em função do acompanhamento médico de seu filho, ainda a inclusão digital e o transporte, para que desta forma, possam se locomover da instituição aos hospitais e clínicas, tornando a intervenção mais efetiva, evitando interrupções e possibilitando também maior perspectiva de vida.

Com o intuito de atender a todos de acordo com a especificidade e necessidade de cada um, são também realizadas doações de cestas básicas, além de atividades culturais e de lazer, com o objetivo de proporcionar um ambiente muito mais acolhedor e humanizado.

Dentre tantas histórias, temos o relato de uma mãe, I.F.O, que descreve o momento em que recebeu o diagnóstico do filho como sendo uma época em que se viu sem forças, sem perspectiva, sozinha, cita ter sido devastador. Foi quando manifestou enorme desestabilização emocional, visto não ter conhecimento da doença, e a grande dúvida era onde encontrar assistência e como dar o primeiro passo, foi então que conheceu a Casa Durval Paiva e enfim, teve o que tanto precisava – amor e esperança, que por um instante estiveram perdidos. Ela conta que o acolhimento que recebeu fez toda a diferença, teve todas a suas necessidades alcançadas, viu naquela Casa, uma segunda família, com terapias de qualidade e profissionais capacitados.

Hoje, I.F.O relata ser muito grata a todos que passaram juntamente com ela essa fase de tratamento do filho, que é muito feliz e realizada e que todo esse sentimento se deve ao fato do que vivenciou na instituição. E.G.F, encontra-se curado, porém, continua frequentando a instituição e ainda usufrui de algumas terapias e outros serviços oferecidos pela Casa, como passeios culturais e de lazer, é também estimulado pela terapeuta ocupacional a fim de alcançar maior autonomia e independência nas atividades de vida diária, tem a possibilidade de socializar-se com outras crianças, permitindo ser criança, visto que as atividades sugeridas são extremamente lúdicas; teve o retorno à sua rotina na escola e, diante de todos estes fatos, é possível destacar então, que E.G.F teve sua reinserção social como esperada, de forma bastante positiva e com qualidade.

Tão importante quando o tratamento em si, é a atenção dada aos aspectos sociais da doença, uma vez que a criança e o adolescente doentes devem receber atenção integral, assim como o seu contexto familiar, com um olhar individualizado. Sabemos que a cura não deve se basear somente na parte biológica, mas também no bem estar e na qualidade de vida do paciente e que, juntamente com a medicina, o amor e a empatia nos leva a sempre acreditar na vida enquanto ela possa existir.


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