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7 de Setembro: FENAJ registra violência contra jornalistas em 3 estados e no DF

FOTO: DIVULGAÇÃO

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) tomou conhecimento de dezenas de episódios de ataques a profissionais da imprensa no contexto das manifestações a favor do presidente Jair Bolsonaro, neste 7 de setembro. Em ao menos três estados e no Distrito Federal, parte dos manifestantes, além de levantarem bandeiras golpistas e antidemocráticas, atentaram contra o direito dos jornalistas de exercerem seu trabalho, com hostilizações e até agressões físicas.

Somente em Brasília, durante manifestação bolsonarista na Esplanada dos Ministérios, foram pelo menos dez episódios envolvendo jornalistas, em especial repórteres fotográficos e repórteres cinematográficos, segundo o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal. Parte dos profissionais precisou sair da manifestação sob escolta, e outros foram constrangidos por forças de segurança ao relatarem as violências.

Alguns casos também foram registrados em São Paulo, tanto na capital quanto no interior. Já na madrugada de terça-feira uma equipe da TV Bandeirantes foi hostilizada na Avenida Paulista, em São Paulo. Durante o dia houve episódios de violência contra jornalistas do UOL, CNN e Jovem Pan, além de repórteres fotográficos que prestam serviços a agências de fotografia e de notícias. Em Ribeirão Preto, no interior paulista, uma equipe da TV Clube, afiliada da Band, foi agredida enquanto cobria a manifestação na cidade.

Em Londrina, no Paraná, o repórter Silvano Brito, da TV Tarobá, foi intimidado e ofendido em duas entradas ao vivo. Na primeira, foi xingado por um manifestante ao questioná-lo por que não estava usando máscara. Na segunda entrada ao vivo, foi hostilizado por um manifestante que acreditava que a entrevista estava sendo gravada e seria posteriormente manipulada.

A FENAJ e os Sindicatos dos Jornalistas filiados repudiam as agressões aos profissionais da imprensa e colocam-se à disposição dos colegas para registrar e denunciar as ocorrências. “A FENAJ apela para que nenhum caso de violência contra jornalistas seja naturalizado, portanto, todo profissional que tiver sido agredido deve registrar boletim de ocorrência e informar o sindicato da sua região”, afirma a presidenta da entidade, Maria José Braga.Em Manaus, uma equipe da Band Amazonas foi agredida na orla da praia da Ponta Negra. Os repórteres Luiz Henrique Almeida e Lázaro dos Santos Wanderley Filho foram hostilizados por apoiadores de Bolsonaro, que lançaram uma lata de cerveja contra a equipe e também avançaram sobre os profissionais. O episódio foi presenciado por policiais militares, que não intervieram.

“Lembramos que todo ataque a um profissional de imprensa é um ataque à democracia, portanto, não devemos aceitar nenhum tipo de violência ou intimidação ao trabalho jornalístico. Por fim, responsabilizamos o governo de Jair Bolsonaro por mobilizar sua base de apoiadores por meio de reiterados discursos que atacam o jornalismo e os jornalistas, em seu projeto tirânico de poder”, completa a dirigente da FENAJ.


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