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Quanto pesa a alma humana? Em 1917, um médico cravou: 21 gramas

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No terceiro episódio da série Breaking Bad, há um flashback. Um Walter White jovem, universitário, de cabelo bonito e barba aparada, está de pé em uma sala de aula vazia, de iluminação azulada, anotando números na lousa. Hidrogênio: 63%. Oxigênio: 26%. Carbono: 9%. Nitrogênio: 1,25% etc. É a parcela de cada elemento da tabela periódica que perfaz o corpo humano.

Uma moça – Gretchen, também estudante de química – está com ele, de caderno na mão. É ela que dita as porcentagens, uma por uma, em voz alta. Ao final da lista, Walt faz uma conta rápida de cabeça e diz: “Some tudo isso e você chega em… 99,888042%. Faltam 0,111958%. Parece que falta alguma coisa. Um ser humano tem que ser algo além disso.”

“E a alma?”, sugere Gretchen.

“Não há nada além de química aqui”, responde Walt.

Em 1907, um médico do estado americano de Massachusetts chamado Duncan MacDougall concluiu, como Gretchen, que se alma existisse, ela deveria pesar alguma coisa. Ele deitou seis pacientes moribundos em uma cama equipada com um sofisticado conjunto de balanças, e esperou eles baterem as botas. A ideia era que alma, ao sair do corpo, faria o peso do cadáver diminuir ligeiramente. A liberação de gases e fluidos corporais foi levada em consideração para evitar falsos positivos.

Dos seis mortos, só um registrou alguma diferença: 21 gramas. Foi o suficiente para uma grande comoção. MacDougall ganhou uma chamada no New York Times em 11 de março de 1907: “Alma tem peso, pensa médico. Dr. McDougall de Haverhill conta de seus experimentos com a morte. PERDA NO CORPO REGISTRADA. Balança mostra 21 gramas a menos em um caso.”

Há uma lista de motivos pelos quais o estudo não é confiável. Em primeiro lugar, uma amostra de seis voluntários não é suficiente para tirar conclusões com qualquer significado estatístico.

Em segundo lugar: mesmo que seis pessoas fossem uma amostra de tamanho razoável, a única conclusão honesta seria a de que as observações foram inconclusivas. Afinal, de acordo com o próprio MacDougall, dos seis corpos analisados, só um perdeu 21 gramas. Os dois primeiros foram excluídos da análise por “problemas técnicos”; o terceiro perdeu momentaneamente as tais 21 gramas, mas as recuperou rapidamente; e o quarto e o quinto registraram duas quedas de peso consecutivas cada um – será que a alma destes escapou em parcelas?

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