Segurança

RN seguirá o mesmo modelo?: Pernambuco cria ‘toque de recolher’ em festas juninas devido a epidemia de crimes

Multidão participa da tradicional festa junina em Caruaru; Estado impõe horário para eventos

EM PERNAMBUCO, DESTA SEXTA-FEIRA (2) A 22 DE JUNHO, E DE 25 A 2 DE JULHO, OS LOCAIS DE SHOWS SÓ TERÃO POLICIAMENTO ATÉ A 0H

Com Pernambuco em meio à pior crise na segurança pública dos últimos dez anos –2.037 homicídios só nos primeiros quatro meses de 2017–, o governo Paulo Câmara (PSB) impôs uma espécie de “toque de recolher” nos polos das tradicionais festas juninas do Estado. No Rio Grande do Norte, que, embora tenha uma população cerca de três menor que Pernambuco, já registra mais de 1.000 assassinatos registrados somente este ano, segundo levantamento feito pelo Observatório da Violência Letal Intencional (OBVIO), ainda não se tem notícia se as autoridades estaduais vão adotar medida semelhante a que foi incorporada pelo estado vizinho.

Em Pernambuco, desta sexta-feira (2) a 22 de junho, e de 25 a 2 de julho, os locais de shows só terão policiamento até a 0h, horário em que devem ser encerradas as apresentações. Em 23 e 24 de junho, véspera e dia de São João, os agentes farão a segurança até as 2h. Até o ano passado, não havia limites.

A Secretaria de Defesa Social de PE, responsável pela segurança, determinou, em portaria, que a regra seja definida em termo de ajuste de conduta.

“Os critérios foram estabelecidos em razão do alto índice de criminalidade que identificamos nesses locais durante a madrugada”, afirmou o coronel Flávio Morais, diretor do Interior 1, que abrange o agreste, região com tradição nos festejos juninos, incluindo Caruaru (135 km do Recife).

“É uma das medidas da criação de grupos de trabalho que implantamos em 2016 e envolve guardas municipais e bombeiros. Com essa estratégia tivemos uma redução considerável de ocorrências em relação ao ano anterior”, disse o diretor.

Dados disponíveis no site da pasta, porém, mostram que junho de 2016 teve alta de 16,3% de vítimas de CVLI (Crimes Violentos Letais Intencionais), que engloba homicídios e latrocínios, em relação a junho de 2015. Ao todo, foram 186 mortos no interior pernambucano, 40 a mais do que na região metropolitana do Recife no período.

O governo Paulo Câmara já atribuiu parte da escalada da violência justamente a uma operação padrão da PM, que desde dezembro reduz o número de homens nas ruas para reivindicar ajustes salariais.

“A maioria [dos hóspedes] pergunta sobre a violência, se o risco de assaltos na região do hotel é alto e sobre assassinatos. Muitos estão com medo”, afirmou Claudenice Araújo, 33, recepcionista do Caruaru Park Hotel.

A assessoria de imprensa da rede Citi Hotel informou que está com apenas 15% dos leitos reservados e que “toda a rede hoteleira está sofrendo”.

A norma que determina os horários de atuação do policiamento ostensivo nas áreas de shows e eventos juninos, porém, é flexível, segundo o coronel Morais. “Levamos em consideração a tradição junina dos municípios, em alguns o horário será estendido.”

Entre as exceções está Caruaru, que disputa com Campina Grande (PB) o título de maior São João do Mundo. Na cidade pernambucana, os 17 polos contarão com a presença de mais de 13 mil policiais até as 3h nas datas de maior movimento, como a abertura e nos dias 23 e 24 de junho.

O município espera receber 2,5 milhões de pessoas, 500 mil a mais do que em 2016. Em nota, a Fundação de Cultura da cidade diz que as festas devem gerar cerca de 6.000 empregos diretos e indiretos, e movimentar R$ 200 milhões.

Fonte: com informações da Folha de São Paulo


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