Turismo

Enquanto a Setur anuncia “quase 200 voos extras para Natal”, hotelaria sofre com a baixa ocupação

FABIANO PONTES, DO PARQUE DA COSTEIRA: “SÓ ESTOU COM 22% DE VENDAS PARA JULHO. SE TIVESSE ESSES VOOS EXTRAS JÁ TERÍAMOS RECEBIDO VÁRIOS ROOMING LIST”

Apesar do anúncio feito pela Secretaria de Turismo do Estado (SETUR) de que Natal receberá, através das companhias aéreas GOL, TAM e AZUL “quase 200 voos extras” entre os meses de junho (que já está se encerrando) e julho, a hotelaria de Natal vem sofrendo com a baixa ocupação de leitos nos últimos três meses de 2017. Na Via Costeira, principal polo hoteleiro do estado, a ocupação média de leitos que não ultrapassa o percentual de 40% em junho. Em Ponta Negra, a situação não é muito diferente.

“Eu desconheço esses voos extras e não sei de onde saiu esse quantitativo. Não me lembro de ter voo extra no mês de junho corrente. O que eu sei é que a CVC vai ter três voos para Natal, originados em Minas Gerais, São Paulo e Campinas. São voos que já existiam anteriormente e que foram tirados. Esses voos estão voltando agora, mas não são diários”, destaca o hoteleiro Fabiano Pontes, diretor de um dos mais tradicionais hotéis da Via Costeira, o Hotel Parque da costeira.

Enfatizando que o mês de Junho está acabando e não há noticias de que voos extras estejam em operação neste mês, Fabiano reforça que o cenário do turismo local não é dos melhores. “Para se ter uma ideia, os hotéis da Via Costeira estão com problemas devido ao baixo fluxo de turistas. A Via Costeira não deve ultrapassar, de uma forma geral, o percentual de 25% de ocupação. Daqui a pouco os pequenos hotéis em Pipa e Ponta Negra vão fechar, pois não tem quem aguente”, explica.

E acrescenta: “Só estou com 22% de vendas para julho. Se tivesse esses voos extras já teríamos recebido vários rooming list (Lista de hóspedes por apartamento, enviadas previamente ao hotel). No passado, nesta mesma época, já estaríamos com algo em torno de 48% e 54% de leitos já vendidos. O problema é que não está havendo venda considerável para Natal”.

Fabiano Pontes não é o único a reclamar do baixo fluxo turístico para Natal. O hoteleiro Felipe Ludgren, diretor do hotel Marsol, também destaca que a hotelaria potiguar atravessa momentos difíceis por conta da baixa ocupação. “Vejo o atual cenário abaixo da expectativa, vejo o turismo com ceticismo, mas torcendo para dar certo. O destino Natal, pelo menos na Via Costeira, não está muito bem não. A ocupação está muito baixa realmente”

Ludgren torce para que a ocupação chegue em julho a, pelo menos, 70%.  “Se acontecer, já vai dar para pagar as contas vencidas”, diz.

FELIPE LUNDGREN: “VEJO O ATUAL CENÁRIO ABAIXO DA EXPECTATIVA. A OCUPAÇÃO ESTÁ MUITO BAIXA REALMENTE”

O hoteleiro Manoel Andrade, que administra os hotéis Natal Mar Hotel e Aran Ponta Negra, diz que o primeiro estabelecimento deverá fechar o mês de junho com 35% de ocupação e o segundo com o máximo de 45%. “Está horrível”, destaca.

Segundo Andrade, o Natal Mar Hotel registra, ao longo dos meses de 2017, um acumulado de ocupação em torno de 65%, e o Aran Ponta Negra 76%. “Isso não paga as contas, até porque a tarifa está muito baixa. Eu não paguei as contas de maio e junho, e o que ganhei em janeiro, fevereiro e março tive que colocar de volta no hotel”, explica.

ANDRADE: “ O QUE GANHEI EM JANEIRO, FEVEREIRO E MARÇO TIVE QUE COLOCAR DE VOLTA NO HOTEL”

O também hoteleiro George Gosson, proprietário dos hotéis Praia Mar, Holiday In Express e Holiday inn Natal, reforça o cenário de baixa ocupação de leitos que assombra a hotelaria potiguar – os três estabelecimentos enfrentam em Junho uma ocupação na faixa de apenas 35%/40% . Com relação a previsão para o mês de julho, ele prefere não fazer previsões otimistas. “Está tudo muito nebuloso ainda, Tem muita coisa para vender ainda”, ressalta.

HOTELEIRO GEORGE GOSSON DESTACA OCUPAÇÃO DE 35% NO MÊS DE JUNHO

QUINTO NO RANKING DA CVC

Embora a CVC seja a operadora que mais envia turistas para Natal, atualmente a capital potiguar ocupa apenas o quinto lugar no ranking da operadora, ficando atrás de Fortaleza, Maceió e Porto de Galinhas. Hoje, a CVC envia o seu maior volume de turistas para Miami, que ocupa o primeiro lugar.

TELA DA CVC DESTACA NATAL EM QUINTO LUGAR, ATRÁS DE FORTALEZA, MACEIÓ E PORTO DE GALINHAS

Segundo Fabiano Pontes, o alto preço da tarifa aérea para Natal – em torno de R$ 2.000,00 – é um fator inibidor da geração de vendas.

Ele também diagnostica que a gestão do turismo local sofre de certa acomodação e não busca em Brasília recursos federais para promoção e divulgação do destino, ao contrário do que fazem os estados vizinhos concorrentes,como Ceará e Alagoas. “Aqui ninguém vai atrás”, lamenta.

Andrade, por sua vez revela que uma outra operadora, a Flytour, cancelou 40% dos assentos para Natal no mês de Julho.

VOOS EXTRAS

Através de sua assessoria de imprensa, o Consórcio Inframérica se recusou a detalhar a quantidade, as frequências e as origens dos voos extras que cada companhia aérea vai operar com destino a Natal, segundo foi anunciado em release expedido pela própria Inframérica.  

No entanto, a Azul Linhas Aéreas informou ao BLOG DO FM, através de sua assessoria, que a companhia “infelizmente não terá muitos voos extras para Natal entre 1 e 31 de Julho”. A Azul irá colocar em operação apenas um voo extra diário, no trecho Recife/Natal. Atualmente, a voadora tem três voos diários.

A exemplo do Inframérica, as voadoras Latam e a Gol também foram econômicas no detalhamento dos voos extras para Natal.

A GOL se limitou a responder de forma genérica, através de um release, que “a  companhia reforçou as operações em 34 aeroportos brasileiros, com foco principalmente nas cidades da região nordeste, destino muito procurado pelos viajantes nesta época do ano. Dentre os aeroportos com maior concentração de voos extras estão São Paulo (Congonhas e Guarulhos), Fortaleza, Salvador e Brasília. Entre as rotas inéditas para a alta temporada o destaque são os voos diretos de Confins, Curitiba, Porto Alegre, Foz do Iguaçu, Santos Dumont, Cuiabá, Belém e Goiânia para algumas cidades do nordeste brasileiro”.

A Latam também preferiu não detalhar os seus voos extras para Natal, alegando “questão estratégica”. Da mesma forma que a GOL, a Latam enviou um release com informações gerais onde destaca o seguinte: “ Para atender os passageiros durante a alta temporada de julho de 2017, a LATAM Airlines Brasil informa que vai operar quase 1.200 voos extras no período, sendo 788 operações domésticas e outras 410 internacionais com origem ou destino no Brasil. O incremento de voos domésticos atenderá principalmente o fluxo de passageiros com destino à região Nordeste do país, além de algumas operações adicionais para as regiões Norte e Sul.


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