Esporte

Antes da abertura, meninas do futebol fazem estreia contra chinesas

Seleção feminina de futebol

FOTO:DIVULGAÇÃO

Brasil começa campanha pelo primeiro ouro olímpico

A cerimônia de abertura será na sexta-feira, mas o pontapé inicial nas competições olímpicas é nesta quarta-feira, com seis partidas do futebol feminino. O Brasil, da craque Marta, estreia às 16h contra a China no Estádio Olímpico, o Engenhão, na zona norte carioca. Aos 30 anos, Marta joga talvez sua última chance de medalha de ouro. Prata, já tem duas (Atenas-2004 e Pequim-2008).

O ouro em casa representará o fecho de uma carreira brilhante desenvolvida em uma modalidade abandonada no País. Tanto que nenhuma das 18 convocadas para a Olimpíada atua em clube brasileiro. Marta joga na Suécia. Andressa Alves, no Barcelona. A artilheira Cristiane, no PSG francês.

A conquista do ouro, embora não admitida nem pelo treinador Oswaldo Alvarez, o Vadão, nem pelas jogadoras, é uma obsessão. O Brasil vem de um fracasso em Londres-20012 – a eliminação nas quartas de final para o Japão – e das duas derrotas nas finais dos Jogos de 2004 e 2008. Se o ouro não vier, o esporte tende a se tornar ainda menor do que já é.

Para Marta, a frustração tenderá a ser ainda pior. Eleita cinco vezes a melhor jogadora do mundo, autora da maior quantidade de gols já feitos por uma atleta na seleção brasileira – completou 100 gols em 2015 –, a craque disputará sua quarta Olimpíada. No currículo, falta essa medalha. Em Panamericanos, a história é outra. Marta e suas colegas conquistaram o ouro em 2003, 2007 e 2015.

Trunfos e riscos. A comissão técnica avalia que jogar em casa une trunfos e riscos. Tanto que há quase dois anos trabalha com profissionais de psicologia na tentativa de amenizar a pressão sobre as atletas. Para montar uma base para a Olimpíada, a CBF criou, no início de 2015, uma seleção permanente, que reúne as jogadoras que não atuam no exterior. O grupo se encontra periodicamente para treinos e amistosos.

Com a cabeça trabalhada, o entrosamento das atletas permanentes e o talento das que jogam fora, Vadão estima ter boas chances de vitória, embora a eterna seleção dos Estados Unidos – ouro em quatro das cinco últimas Olimpíadas – surja como favorita natural.

A China, adversária da estreia, é experiente e ameaça dificultar a atuação das brasileiras. O futebol feminino no país é desenvolvido, com competições fortes e disputadas. Tanto que quatro selecionadas por Vadão jogam na por lá: a atacante Debinha, a zagueira Rafaelle, a lateral Fabiana e a meia Raquel. São as espiãs do treinador.

Vadão disse segunda-feira ter “ convicção de que estamos muito bem preparados” e que “o importante é não deixar o emocional nos tirar a concentração”.

“Isso é uma coisa que temos conversado muito, nos treinamentos, (sobre) essa tranquilidade, essa paciência de que vamos precisar”, acrescentou ele, para quem a seleção brasileira “tem treinado muito bem”. “Já temos um padrão de jogo definido, só estamos acelerando algumas coisas.”

Na manhã desta terça, a seleção treinou por 75 minutos no CFZ, na Barra da Tijuca, zona oeste. Foi uma atividade leve, com repetição de bolas paradas e jogadas ensaiadas. Designada para conversar com os jornalistas, a goleira Bárbara Micheline, em sua terceira Olimpíada, disse que não há mais nada a fazer, a não ser esperar o jogo.

“Hoje o que poderia ajustar, ajustou no treinamento. Agora não tem mais o que fazer. É descansar, mentalizar o jogo”, explicou a atleta. Segundo ela, o grupo está preparado e focado. “Tudo que ele (Vadão) podia fazer de melhor, ele fez(…) A seleção consegue jogar com os olhos fechados. A seleção permanente nos ajudou bastante.”

Para a goleira de 28 anos, a medalha pode ajudar a melhorar as condições do esporte no País. “Se Deus quiser, vamos conseguir ganhar, a gente vai em busca da melhoria dos clubes”, disse a atleta, que no último amistoso, dia 23 em Fortaleza, foi vaiada pela torcida por ter falhado no gol da Austrália. “Acontece. Sou normal como todo mundo”, disse, sobre o episódio.

Por sorte, o Brasil virou e ganhou por 3 a 1. Bárbara é uma das seis convocadas que integram a seleção permanente.

Estadão


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